D-4530

No decorrer de meu mandato – 2008-9 – como governador do distrito 4530, enviei textos de reflexí£o para a comunidade rotária, sugerindo que a instituií§í£o Rotary, pela credibilidade e presení§a planetária, poderia, além das aí§íµes humanitárias e filantrópicas que nos caracterizam e muito nos orgulham, colocar na agenda de discussíµes a identificaí§í£o das causas da pobreza, uma vez que nutrií§í£o, saúde e educaí§í£o tíªm se constituí­do em prioridades de presidentes de RI ano após ano, juntamente com a busca da paz mundial. O questionamento é simples: se as causas ní£o forem conhecidas e resolvidas, permanecerí£o as conseqí¼íªncias! E cada vez com intensidade crescente. Isso nos motiva, inevitavelmente, a questionar os modelos e conceitos básicos dos pensadores que originaram o capitalismo e o socialismo. Para sua reflexí£o, vamos focar os conceitos básicos:

  • Economia é uma ciíªncia em que os agentes todos sí£o regulados pela inexorável, impessoal e incontrolável lei da oferta e procura, sempre que ní£o há manipulaí§í£o de mercado;

  • Polí­tica é uma arte em que os protagonistas decidem conforme a questionável, circunstancial e personalista vontade humana.

Com esses conceitos em mente, vamos considerar alguns fatos marcantes do mundo moderno:

  • Duas guerras mundiais;

  • Competií§í£o espacial – visita do homem í  lua;

  • Corrida armamentista – guerra fria;

  • Carbonizaí§í£o da matriz energética;

  • Corrupí§í£o nos parlamentos e em burocracias governamentais e empresariais;

  • Invasí£o do Iraque;

  • Conflito palestino – judaico

  • Onze de setembro/2001 e o novo terrorismo global.

Governo, como suprema criaí§í£o da ética humana, na formulaí§í£o de Hegel, poderia sofrer uma revisí£o – o erro ní£o é uma tragédia, a verdadeira tragédia é ní£o aprendermos com o erro!! Qualquer que seja a postura que se adote em relaí§í£o a esses eventos, invariavelmente o vilí£o tem nome e sobrenome: sistema tributário – esta quantidade enorme de recursos financeiros í  disposií§í£o de uma elite dirigente. Nada contra, se a elite dirigente decidisse conforme a vontade coletiva – porém parece que as decisíµes atendem mais a uma espúria relaí§í£o público-privada de interesses pessoais em torno do poder econí´mico, ou seja, a vontade coletiva como somatória das vontades individuais é o que menos conta.

Este é o fulcro do problema, se queremos buscar a paz mundial, urge reduzir os recursos arrecadados pelo sistema tributário e aumentar os recursos regulados pelo mercado. Monetaristas keynesianos legitimaram o governo na economia, num mundo destruí­do pela segunda guerra; aquilo foi como tomar uma aspirina para atenuar a dor de cabeí§a – mas a médio e longo prazo o resultado tem sido desastroso.

Voltando aos conceitos básicos – economia e polí­tica ní£o podem se misturar – sí£o como óleo e água – a mistura é potencialmente explosiva.

A escalada de interferíªncia governamental na economia ní£o nos vai levar a lugar nenhum – apenas vai reforí§ar a crescente ditadura da burocracia e dos polí­ticos profissionais – é a vontade humana de poucos, sobrepujando as leis do mercado.

Por outro lado, a competií§í£o de mercado que se assiste hoje é como uma corrida de atletismo: alguns de barriga cheia e com acesso aos sistemas de saúde e de educaí§í£o, disparados lá na frente; e uma multidí£o de excluí­dos lá atrás: o mí­nimo decente e justo é colocá-los na mesma linha de partida ou igualar as oportunidades de manifestaí§í£o dos talentos individuais em benefí­cio da sociedade.

Todos os meus textos anteriores procuraram estimular reflexíµes e motivar propostas de soluí§í£o para a busca da paz mundial e para combater as causas da pobreza.

Considerando que a economia de mercado produz apenas o que é rentável e ní£o o que é necessário, somente um novo pacto social onde a iniciativa privada – proletários e burgueses – assuma diretamente a nutrií§í£o, saúde e educaí§í£o de todo o núcleo social dependente da produí§í£o, comprando a livre e real preí§o de mercado e embutindo nos custos da produí§í£o, e o governo reduz a tributaí§í£o correspondente a estes custos sociais. A falta de oportunidades iguais, levou governos do mundo inteiro a tirar dos fortes para dar aos fracos ou empobrecer os ricos para enriquecer os pobres – esta visí£o filantrópica Robin Hoodiana destrói duas das forí§as motivadoras mais poderosas do ser humano – a iniciativa e a dignidade.

Trabalho humano é um processo de transformaí§í£o de energia, para que possa ocorrer, energia humana – nutrií§í£o, saúde e educaí§í£o – deve ser assegurada a priori e ní£o como pagamento de trabalho executado. Tal como o veiculo precisa de combustí­vel para trafegar.

Em retorno aos textos enviados, os comentários que recebi do mundo rotário foram tí£o estimulantes, provenientes de lí­deres de todo o planeta, que decidi compartilhar alguns deles com todos – vide abaixo.

Pretendo assim estimular as discussíµes em torno do tema, de nenhuma forma movido por soberba ou vaidade pessoal: quando o prato de comida de crianí§as está em discussí£o, soberba seria o pecado capital mais insano e imperdoável.

Muito me estimulou a proposta do EPRI Wilf Wilkinson de colocar o tema em discussí£o no Conselho de ex presidentes de RI. Ele foi sensí­vel ao significado e í  profundidade de minhas preocupaí§íµes. Também me animou bastante perceber a sensibilidade dos EPRI Clifford Dochterman, Bhichai Rattakul e Glenn Estess, a quem manifesto meus respeitos pelo trabalho executado e por colocar suas experiíªncias em prol do tema proposto.

Os dois comentários abaixo foram particularmente gratificantes pela perfeita sintonia dos comentaristas com as minhas teses:

· “Quanto í  sua proposta para o setor saúde, é tudo que os democratas dos EUA querem há décadas – saúde para todos – porém como vocíª propíµe fazíª-lo, nem no modelo brití¢nico, onde o estado faz tudo, nem no canadense, onde o estado paga í  iniciativa privada fazer: sua proposta segue um terceiro modelo, ao estilo dos republicanos, diretamente pela iniciativa privada!!!” Vincular o lucro econí´mico a saúde das pessoas terá um impacto extraordinário no equilí­brio ecológico do planeta;

· “A ser válido o critério proposto – descentralizaí§í£o de recursos das mí£os de burocratas e polí­ticos – para qualificar democracia – ní£o existem sociedades democráticas no planeta, embora todas assim se autodenominem.”

Qualquer que seja o conceito que se tenha de democracia, nunca a sorte dos governados pode depender da virtude dos governantes.

Ditaduras ou regimes de forí§a só sí£o defendidos por aqueles que gostariam de estar do lado do cabo do chicote; se estiverem do outro lado, defendem a democracia com toda convicí§í£o.

Comentários de seres humanos da estatura de Eudes de Souza Leí£o Pinto, Ives Gandra Martins, Geraldo Vilhena, Célio Borja, e tantos outros mais que respeito pela formaí§í£o e experiíªncia, sinalizam que o caminho por mim proposto, inovador como é, segue na direí§í£o correta. Ao confrontar a situaí§í£o atual com aquela proposta, me convenci quí£o ridí­cula e injusta é a situaí§í£o atual.

A leitura dos comentários abaixo, de professores universitários, juristas, economistas, homens de negócio, polí­ticos, filósofos e lideraní§as rotárias, ao redor deste pequeno ponto azul no universo, mostram o poder de mobilizaí§í£o de nossa instituií§í£o e das idéias em seu í¢mbito, devido í  forí§a irradiada pela qualidade, diversidade e ética de nossos companheiros – a propósito – para aqueles que gostam de filosofia, é imperdí­vel o magistral mergulho na alma humana dos diversos pensares dos últimos séculos feito pelo companheiro Dalnei Bonesso do RC Palmas.

Acredito que nós rotarianos, pela credibilidade e abrangíªncia institucional, seremos capazes de tornar o mundo mais justo e humano. Temos sólidos motivos para nos orgulhar de Rotary – estou certo de que o nosso fundador Paul Harris – onde quer que esteja – se orgulha de nossas aí§íµes. í‰ oportuno lembrar o conselho de Platí£o – “o castigo para os que ní£o se envolvem em polí­tica, auto-denominados apolí­ticos, é de serem governados por seus inferiores”.

Antes que seja tarde demais, vamos voltar a nossas melhores origens, para progressivamente corrigir nossa sociedade e construir um futuro de paz, saúde e excelíªncia para todos.

A busca pela paz mundial passa, inexoravelmente, pela reduí§í£o de recursos ao alcance de governos e disponibilizaí§í£o de nutrií§í£o, saúde e educaí§í£o para todos.

Tenham todos um momento de reflexí£o sobre a situaí§í£o atual nesta confraternizaí§í£o universal de final de ano.

Que Deus continue abení§oando nossas crianí§as.

Ronaldo Campos Carneiro – 4530 EDG – 2008-9

dezembro 2009 – rcarneiro@salutecafe.com.br

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